Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

sidgwick sobre kant

Nos seus Métodos, Henry Sidgwick formulou com clareza exemplar uma crítica importante à ética kantiana.

Kant parece aceitar os seguintes princípios sobre o livre-arbítrio, a racionalidade e a acção moral:
Uma pessoa age livremente apenas se age racionalmente.
Uma pessoa age racionalmente apenas se age moralmente.
O problema é que destes princípios segue-se isto:
Se uma pessoa age imoralmente, então não age livremente.
E a situação piora se acrescentarmos este princípio, que roça a auto-evidência:
Se uma pessoa não age livremente, não é moralmente responsável pelo que faz.
Agora obtemos a conclusão devastadora: se uma pessoa age imoralmente, então não é moralmente responsável pelo que faz. Ou seja, nunca faz sentido responsabilizar as pessoas pela sua conduta imoral. Como poderá um kantiano evitar este absurdo?